6° Capítulo
Sua dor levou qualquer resposta que ela pretendia dar. Suas costas se arquearam. Sua barriga se levantou, ondulando debaixo do vestido. Um baixo lamento escapou dos lábios entreabertos. Ela se esforçou, esforçou, ele percebeu, com todas as forças, que não era muita, e novamente nada aconteceu.
- Você tem uma arma? – ela arquejou.
Com certo acanhamento ele respondeu. – Não.
A mulher franziu a testa. Seus olhos cheios de dor percorreram o corpo dele. – Então pretendia me matar com as próprias mãos. Ela lutou para se apoiar nos cotovelos. – Então faça-o agora. Se você não as colocar dentro de mim, coloque-as ao redor de meu pescoço. Acabe com meu sofrimento. Sem sua ajuda, o bebê e eu estamos condenados mesmo.
Morte misericordiosa? Para Christopher, isso soava muito melhor do que assassinato. Ele poderia acabar com o sofrimento dela. Ver a dor dela não lhe dava o menor prazer, nenhum senso de justiça. O deixava enojado. Mas matá-la para que seu sofrimento terminasse...ele poderia viver com isso, não poderia?
Ele oscilou levemente com vertigem conforme se aproximava do colchão. Christopher manteve os olhos longes da parte inferior dela, que o teria agradado muito sob outras circunstancias. Ele se ajoelhou ao lado dela. Ela o encarou, a dor estava evidente em seu olhar, mas não o medo. Deus, ela tinha mais coragem do que ele.
- Faça – ela o encorajou, então inclinou sua cabeça para trás, permitindo que ele tivesse acesso a sua delgada garganta. – Há muito que suspeitava que minhas diferenças um dia me conduziriam a esse fim. Eu aceito o meu destino.
A passividade da mulher o enraiveceu. Onde estava seu instinto de sobrevivência? Onde estava a raiva por ter tido uma vida diferente da dos outros? Por que ela lhe oferecia a garganta quando deveria estar lutando com ele até o amargo final? Talvez ela merecesse morrer. Se dava tão pouco valor à vida, por que não fazer o favor a ela?
A pele dela era macia, quente debaixo de seus dedos quando ele os colocou ao redor do pescoço dela. O contato causou uma faísca, como o ar carregado antes de uma tempestade.
Ela também a sentiu, porque seus olhos que estavam fechados se abriram repentinamente.
- Você é diferente, também. – ela murmurou. – Você não é um homem. Mas também não é uma fera. Você é ambos.
Não havia sentido negar suas afirmações, mesmo que Christopher tivesse ficado um pouco nervoso por ela tê-lo visto pelo que era. Seu rosto havia servido para ele no passado – um disfarce para esconder sua natureza obscura.
- Serei um homem novamente – ele garantiu a ela – E nada além de homem quando você morrer pelas minhas mãos.
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