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2 de set. de 2009

"O INDOMÁVEL" 3° CAPÍTULO

O INDOMÁVEL 3° Capítulo

Ele ouviu um leve lamento, um frágil gemido feminino, e então o som de respiração irregular. Barulhos que uma mulher poderia fazer enquanto estivesse com um amante. Seria a bruxa? Christopher custava a acreditar nisso, pois em sua mente a mulher que ele procurava era velha e feia. Com seus cabelos embaraçados e o rosto cheio de verrugas, o único modo de conseguir levar um homem para cama era lançando um feitiço sobre ele.

Ainda assim, o cheiro dela atraiu Christopher. O cheiro de mulher, de luz do sol, de terra e chuva e o sutil aroma de madressilva e, de modo estranho, sangue. Os sons de passos através dos arbustos, de vozes que se elevavam na excitação da caçada, sumiram para ele, e tudo o que ouvia era ela. Tudo o que cheirava era ela. Ela o enchia com sua presença, o ninava com os sons que fazia e ele foi para ela de boa vontade, quase como se o destino o comandasse.

Esgueirando-se pelas árvores, Christopher lutou contra a dor de seu ferimento, ignorou a sensação de sangue coagulado debaixo de sua camisa e se apressou para frente. A cabana com a qual se deparou pouco depois era pouco mais do que um barracão, coberta de trepadeiras de tal forma que era quase invisível contra a grossa parede da floresta.

Ele não sentiu o cheiro de um fogo aceso, nem viu rastro de fumaça saindo da desmoronada chaminé. Ele não ouvia sons de vida, nem mesmo entre os animais da floresta. Arrepios percorreram sua nuca. O silêncio era assustador.

A mulher estava lá dentro; ele o sentia. Christopher procurou pela faca que mantinha pendurada em seu cinto. Ela não estava lá. Sem faca, sem arma. Que assassino ele era. O povo da vila o surpreendeu. Ele mal teve tempo de se vestir e fugir de seu alojamento na taverna quando eles chegaram para matá-lo.

Se precisasse, ele a mataria com as próprias mãos, Christopher decidiu-se. Se a mulher fosse, de fato, a bruxa que ele procurava, e se sua morte significasse vida normal para ele e seus irmãos, ele o faria. Com sua decisão fortalecida, Chriostopher aproximou-se da porta da cabana e a abriu.

A iluminação lá dentro era fraca, mas sua visão era superior a dos homens normais.

Uma mulher estava jogada em um colchão de palha largado no chão sujo. Seus joelhos estavam dobrados e bem abertos, suas pernas nuas. O grande monte em sua barriga se movia debaixo do vestido sujo dobrado até suas coxas. Ela não estava se encontrando com nenhum amante, mas em trabalho de parto.

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